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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Duas Semanas


Vista da janela aqui de casa!!!


Não sei se é pelo fato de tudo ainda ser novidade, ou por essa mudança ter superado minhas expectativas, mas os dias continuam entrando e saindo em um piscar de olhos. Hoje, por exemplo, me assustei ao perceber que já fazem duas semanas que estou aqui.

Buenos Aires é uma cidade encantadora, cheia pessoas bonitas e simpáticas, tirando os cocos de cachorro que encontramos freqüentemente pelas calçadas da cidade (o que relevamos), ela é adorável. Sinceramente acho difícil conhecer e não gostar. Bons Ares, esse nome realmente faz jus a cidade.

Em duas semanas já comecei a pegar o espanhol. Em uma conversa com um portenho, entender se torna fácil, o difícil é falar, conseguir estruturar uma frase para chegarmos ao entendimento, mas isso vai se aprendendo com o tempo, até lá usamos e abusamos do portunhol.

Sobre os portenhos, posso dizer que ao contrário da imagem que temos (na maioria das vezes formada pela mídia), eles são muito simpáticos e nos recebem muito bem em seu país. Claro as piadinhas e comentários sobre argentinos deixamos em casa, assim se torna fácil ter um bom convívio. E para a minha surpresa, e a de muitos - eu acho -, Buenos Aires é infestada de estrangeiros. Aqui encontramos pessoas dos quatro cantos do mundo (porém, brasileiros em maior quantidade), acho que isso contribui no charme da cidade... Você acaba conhecendo um pouquinho de cada país através das pessoas.

Ah, deixe-me escrever um pouco sobre o meu apartamento e a minha primeira impressão sobre ele. Vamos lá: Bom, em uma tarde fria de junho, pra ser mais exata no dia 21, chego a Buenos Aires e estou louca para conhecer o meu bairro, o meu prédio, apartamento e quarto. Deparo-me então com um pequeno prédio, bem parecido com todos os outros do meu bairro. Após cruzar a enorme e pesada porta preta, que separa o “condomínio” da rua, me assusto com um longo corredor sombrio e gélido – nessas alturas o meu coração começava a disparar e eu já não sabia se o meu arrepio era causado pelo frio ou pelo medo. Após cruzar o corredor da morte (assim batizado pelo meu medo), chego à parte que me remete a um filme de terror de mil novecentos e antigamente, para chegarmos ao meu apartamento que fica no quarto andar, as opções são escada ou elevador, o problema é que o elevador é medonho, daqueles de grades,
recomendando apenas para três pessoas, respiro fundo e entro nele, solto meu ar apenas ao chegar, paralisada, no meu andar. Não sei o que me assustava mais, se eram os rangidos ou a antiguidade (quero apenas deixar claro que, acredite, o elevador é seguro, e que esse tipo de elevador é bastante comum aqui nos bairros que mantém as características antigas). Antes de abrir a porta do apartamento, confesso que já estava arrependida de
alugá-lo sem o ter visto antes, mas quando a Rayssa abriu a porta, que vi a nossa casinha logo apaixonei... Aqui é muito fofano e aconchegante. Estou amando.
Bom, tenho tantas coisas para relatar que me vejo perdida em turbilhões de acontecidos, acabo ficando sem saber o que contar primeiro. Espero conseguir colocar em ordem, mentalmente, todos os meus relatos e o sentimento que cada um me remeteu, para então poder escrevê-los aqui... Tentarei também postar mais freqüentemente, para que se torne mais fácil também para eu fazer os posts em vez viver sempre esse conflito de saber o que postar primeiro e o que deixar para segundo plano...

Bom, por hoje é só, prometo tentar voltar amanhã contando algumas coisas que já vivenciei e conheci aqui.

Postagem não muito boa, mas feita com carinho, mais para atualizar o blog mesmo.
Estou com muita saudade tanto da minha família, quanto dos meus amigos!
Amo muito vocês, obrigada por sempre me apoiaram.

Beijo enoorme e hasta luego!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Reviravolta


Nossa, e não é que já se passarem duas semanas da minha última atualização. De lá pra cá minha vida já deu o esperado giro de 360º, que vou tentar contar aqui, de forma resumida, como tudo aconteceu.

Nessas duas últimas semanas tirei para ficar por conta das despedidas... Ah, como eu detesto ter que me despedir. Por mais que eu tentasse, e para minha surpresa muitas vezes consegui não chorar, sempre chega o momento das lágrimas rolarem. E o chororô começou na terça feira dia 15/6, na véspera de dar até logo a Governador Valadares e seguir a Belo horizonte.

Parece que todo o choro que consegui conter nas despedidas anteriores estava preso, dando um nó em minha garganta, e vieram a tona quando fui na casa da minha avó me despedir, quando falei com meus padrinhos (a quem guardo uma enorme admiração), quando dei aquele beijo na minha avó, daí pra frente não agüentei. No caminho de volta pra casa conseguir me controlar, mas por pouco tempo. Logo apareceu uma amiga muito querida, que sempre fala coisas confortantes e bonitas, me fazendo derramar mais algumas lágrimas ao me dar um gostoso abraço de urso.

Na quarta feira de manhã olhei pela última vez (desse mês) a minha casinha, tirei alguns segundos, talvez minutos, para olhar cada parte, cada cantinho da minha casa, e o meu coração apertou de novo. Após fotografar tudo com os olhos seguimos para Belo Horizonte, estava ansiosa para chegar e passar essa última semana na companhia dos meus irmãos, com a minha família toda reunida.

Os dias que passei em Belo Horizonte mal começavam e já acabavam, foi de certa forma desesperador vê-los passando tão rápido. Ficar com meus irmãos foi sem dúvida muito agradável. Por mais briguinhas que aconteçam entre a gente, ver a minha família reunida é a melhor coisa do mundo, não tem como não ser apegada a eles. Meus pais são exemplos a serem seguidos, donos da minha admiração. Meus irmãos são fantásticos, às vezes briguentos, mas com um coração enorme. São lindos e inteligentes, sinto-me sempre orgulhosa deles, são os melhores irmãos do mundo! Agora vêm os meus cunhados, que tem na certa o meu carinho e amizade, que não me deixam na dúvida de que são as pessoas certas para meus irmãos.

Os dias voaram e chegou a véspera da minha ida para Buenos Aires, as lágrimas voltaram a aparecer ao me despedir da minha cunhada que conseguiu me confortar com algumas palavras de força. Chegando a casa da minha irmã engoli o choro e entrei, não queria passar o resto da noite triste ou agoniada por conta das despedidas. Mal preguei os olhos nessa noite.

E dia vinte e um começou cedo. Ouvi o estridente soar do despertador me acordando, provavelmente minha noite de sono não passou de quatro horas mal dormida. Em um pulo, levantei da cama e segui até o quarto de meus pais, onde deitei um pouco com eles, abraçando forte cada um. Era hora de levantar e me arrumar para ir ao aeroporto.

As seis e pouco, lá estávamos, no aeroporto de confins. Meu coração tentava saltar do meu peito e, em profundas respirações tentava controlá-lo. Foram as duas horas que passaram mais rápidas em minha vida. Estava no horário do meu embarque. A caminho da portaria que me separaria deles, já não conseguia segurar o choro. Dei e recebi o melhor abraço de cada um: Do meu pai, da minha mãe, do meu irmão, da minha irmã e do meu cunhado. Em meio ao abraço eles me desejavam forças e davam conselhos, eu por minha vez, não conseguia falar nada (aproveito então o espaço para agradecê-los e falar que eles são as pessoas mais importantes da minha vida, que eu amo-os muito).
Meu vôo foi normal, nada que mereça destaque, tirando a parte, é claro, da conexão em São Paulo que não estava no roteiro e me deixou completamente perdida, mas que graças a Deus deu tudo certo.

A vida em Buenos Aires começa agora:


Cheguei a Buenos Aires às duas horas da tarde, lá já estava a Rayssa e o Kim (da assessoria) para me receberem. Ao sair do aeroporto já comecei a bater os dentes, o frio estava “espancando” – E meu irmão ainda havia falado que aqui não parecia fazer muito frio. Ai ai ai. RS – O Kim ligou para alguém que foi nos receber no aeroporto e nos transportou até a minha nova moradia.

O apartamento é muito aconchegante, me senti em casa logo de cara. As minhas companheiras de Ap são muito simpáticas, agora espero ansiosa a chegada da Agda para que ele fique completo.

Já dei uma volta no bairro, ele é muito agradável. É um bairro antigo e mantém tanto as construções como as ruas em modelo antigo, o que da um ar super legal! Ah, já arrisquei até um portunhol aqui... Tentei criar um contato com um garçom simpaticíssimo, e já atendi por duas vezes o interfone aqui do apartamento, mas no final das contas descobri que as duas pessoas que interfonaram eram também brasileiras.

Bom, por enquanto é só, tentarei postar mais ainda hoje, ou quem sabe amanhã!

Saudade grande da minha família, dos meus amigos, do almoço da minha mãe e do meu Brasil.

Besos!

sábado, 5 de junho de 2010

16 dias.


Finalmente a questão de moradia foi resolvida. A Agda e eu não somos mais sem teto, agora temos um apartamentinho muito agradável para morarmos. O bom é que ele já vem todo mobiliado e equipado, sem falar que não vamos ter que nos preocupar em sair para pagar contas como as de luz, água, internet, pois são valores fixos já incluídos no aluguel. Bom pra gente. Agora é nunca esquecer de pagar o aluguel. Hehe

Nosso apartamento está localizado no San Telmo. Segunda minha outra companheira de apartamento, a Rayssa, o bairro é ótimo e tem tudo próximo dele. Dei uma pesquisada também sobre o nosso bairro. Descobri que San Telmo é um bairro repleto de histórias, é antigo e turístico. Tem aos domingos uma feira famosa e por suas ruas encontram-se milhares dos famosos cafés argentinos. Saber que o bairro de San Telmo é um centro de história e cultura, certamente me agrada muito!

Hoje faltam exatamente dezesseis dias para minha mudança. Começo a imaginar minha vida lá, minhas novas amizades, a faculdade, meu espanhol falho, o inverno rigoroso. A ansiedade vai batendo. A saudade do que vou deixar pra trás vai apertando. Aí nessa hora minha mãe entra em ação, me dando força, me apoiando. Acho que ela não faz idéia do quanto isso é importante pra mim. Somente ela, pra acalmar minha ansiedade e amenizar minha saudade.

Cada dia que passa vem alguém diferente me falar do frio que faz o inverno de lá. O bom é que já estão me munindo com milhares de cachecóis, boinas e meinhas de lã. Gosto de frio, mas não de sentir frio. Espero que o sol apareça vez ou outra nesse inverno.

Bom, por hoje é só. Agora vou pra cozinha aprender a fazer um delicioso strogonoff.

Hasta luego.

Besos!